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Diário da Pesquisa: O Ator em situação de Rua, pesquisa em Teatro de Rua com incentivo do Funcultur

  • 10 de out. de 2016
  • 3 min de leitura

A partir de hoje você pode acompanhar passo a passo a nossa pesquisa, os exercícios, treinamento, jogos e impressões do trabalho de investigação que estamos realizando, tendo como temas Processos criativos, dramaturgia e espaço no Teatro de Rua.


Experimentos vivencias


1° exercício Caminhada pelo espaço delimitando um espaço de roda:

-ocupar os espaços vazios dessa roda

Trabalhar paradas, em associação com a consciência de ocupação do espaço.

- experimentar formas de caminhar, utilizando diferentes bases dos pés e posições da perna (calcanhar, meia ponta, ponta, laterais, etc).

- perceber como seu corpo reage a estas diferentes formas de andar.

2° exercício Caminhada pelo espaço, trabalhando o aterramento do corpo e conexão com a terra, espaço e parceiros de exercício.

Trabalho que permite ao ator e atriz, potencializar a energia do corpo, concentração e prontidão na relação com o espaço e o outro.


3° exercício

Posicionar-se em lugar da sala, em seguida o facilitador propõe que imaginem saindo dos seus olhos raios, setas, que rasgam o espaço, essa instrução pode ir depois variando para outras partes do corpo, assim como os atores movimentam-se na roda com esse trabalho. Posteriormente o ator/atriz vai buscando experimentar a qualidade dessas setas podendo ser grandes, pequenas, contidas, expansivas, forte, leve, etc. O ator/atriz deve ir percebendo que na rua esse trabalho exige um corpo que se expande que trabalha para diferentes direções (tridimensionalidade) que joga para o espaço suas intenções. Cada região do corpo potencializa diversas qualidades necessárias para o trabalho na rua, por exemplo, os olhos, assim dilatados, olhos que esperam e que dão; que comunicam, olhos como janelas abertas para o jogo.

4° exercício

É um desdobramento do terceiro, em que agora os atores, vão lançar essas intenções para o espaço da roda e para seus parceiros, como um movimento ou gesto. O importante é que o ator não racionalize demasiadamente, mas que deixe assim como as setas que saltitaram pelo espaço que seu corpo jogue, improvise, afete e seja afetado. No espaço aberto esse corpo ele se expande, ele brinca e liberta-se como intenção e poética para infinitas posições.


Relato da atriz Joyce Paixão sobre os exercícios

Os exercícios práticos propostos em nossos ensaios nos permitem utilizar o aterramento como ferramenta base aos demais exercícios. Ele nos dá a possibilidade de prosseguirmos a outros movimentos, desenvolvendo velocidade, impulsividade, ousadia, entre outras respostas. Buscamos nos exercitamos através do preenchimento do espaço, não devendo, deixá-lo ou torná-lo vazio. Todos os nossos sentidos se dilatam, nos permitindo o envolvimento num grau de entrega ímpar, de energização escuta e disponibilidade ao jogo, dando espaço ao reconhecimento e reencontro de si e cuidado com o outro.

Trazendo um pouco dessa bagagem, vamos nos tornando receptivos no que tange a troca de olhares, sorrisos e gestos com o público. Dessa forma, a importância da triangulação no teatro de rua (ator A - ator B - público) que acontece permite trabalhar de forma menos retilínea. Sendo assim, potencializamos uma corporeidade tridimensional nos aproximando do que Rubens Brito aponta como Teatro quântico. Compreendendo e exercitando que os limites de cena, diálogos ou espaço se ampliam, são rompidos e relativizados. A interferência do público e das diversas afetações do espaço urbano influenciará se seremos pequenos, grandes, enormes, gigantes ou gigantescos. Ele vem de todos os lados e direções, além das diversas formas.

Partindo desse princípio, nos permitimos a brincar nas ruas...

Pois é nela onde iremos nos deparar com os erros, confusões, precipícios, caos e conflitos, assim como energias, pessoas, lugares, situações, alegria e brilho.

Logo, o processo de criação do ator no teatro de rua, advém primordialmente das nossas sensações, projeção de voz, condicionamento físico, cumplicidade com o público e relação com o espaço.




 
 
 

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